Archive for the ‘fotografia’ Category

Invenção

15 May, 2007

Não há quem não goste de inventar, não é mesmo? Seja na receita da sobremesa, na mistura de peças de roupas ou na maneira de temperar a salada, todo mundo gosta de dar seu toque original às coisas, sua assinatura. Eu mesmo sou um adepto de invencionices. Por curiosidade me meto a fazer de tudo o que não sei, e acabo estragando de vez em quando uma coisinha ou outra. Eis que a última peça que quebrei me incentivou a uma nova invenção.

Explico.

Como já falei em post anterior, sou um fotógrafo amador apaixonado. Aqui em casa temos diversas máquinas fotográficas, grande maioria utilizando filmes de 35mm. Uma das poucas que escapa a este padrão é a digital Nikon D70. Uma máquina semi-profissional, de qualidade invejável, mas que perdeu muito da graça depois que redescobrimos o filme. Eis que, para salgar um pouquinho as nossas fotos digitais, acabei por adquirir um Colorsplash Flash, que fazia maravilhas com nossas pálidas fotos. Depois de um tempo de uso, o flashinho que era de plástico e custou barato, parou de funcionar corretamente. Hoje, pensando melhor, percebo que o problema podia ser algo fundamental como troca de pilha usada, mas eu, com minha curiosidade e chave de fenda, resolvi abrir o coitado. E não foi preciso ir muito fundo. Logo depois do primeiro parafuso encostei o metal da chave onde não devia e o flash fez *puf* pra nunca mais funcionar (nem mesmo com pilhas novas). Aí começou a saga do flashinho, que merecerá um texto à parte.

Bom, voltamos à D70, agora pálida e triste sem o flash colorido. Eu sabia que a culpa foi toda minha e, enquanto não arranjava outro flash, resolvi descobrir outra maneira de incrementar as fotos digitais.

Admito, não foi uma invenção minha. Surrupiei a idéia central deste site: aggregate.org, e apenas adaptei ao que me serviria melhor. O mais importante é que passei algumas horas cortando, amassando e assoprando os dedos até conseguir chegar à ToddyFish (revelo aqui o nome).

Agradeço muito ao Guto Lacaz, que me deixou claro há muitos anos o conceito de coincidências industriais. Após comprar o olho mágico de portas, pensei em como fazer para adaptá-lo à frente da lente da Nikon. Saí pela casa, os olhos correndo os cantos, à procura de luz. E a faísca surgiu, através da tampa do Toddy. Mãos tremendo, suor frio e a mente pensando: Será que cabe? Será que é perfeita? Nesses momentos precisamos de calma. Os objetos notam nosso nervosismo e podem transfigurar-se, mudar de cor ou simplesmente desaparecer frente à descarga emocional. Devagarinho peguei a câmera, me aproximei da tampa de Toddy e fui encaixando as duas.

Perfeito!

Agora só me restou furar, cortar, girar, rosquear e tirar umas fotos de teste, até que a nova lente fosse aprovada.

ToddyFish

Após ter sido publicada nos meios oficiais, recebi hoje a homologação da invenção através de uma foto onde o fotógrafo Josivan Rodrigues apresenta sua versão da minha (agora já velha conhecida) ToddyFish. Vejam só que maravilha:

Josivan Fish

Foi assim, de grande realizações, meu começo de semana.

E pra finalizar, aproveitando o tema, hoje andando pela rua com uma máquina fotográfica no bolso fiquei imaginando aquelas invenções fundamentais que ainda não podem ser desenvolvidas em casa, mas que fariam toda a diferença para o corpo humano. Invenções específicas, quase que profissionalizantes, e ao mesmo tempo uma mera adaptação de algo que já existe em tecnologia ao mundo caótico de nossos organismos: um fotômetro nos olhos, um afinador nos ouvidos, uma balança na base dos pés. Quem não quer? Um juiz de futebol que já tenha um apito na garganta e um cronômetro implantado no pulso, um carteiro com GPS na palma da mão esquerda, uma atendente do McDonalds com slots sobressalentes de memória.

Ah, o futuro nos reserva tantas surpresas!

Foco

8 May, 2007

Eu acho que sei dizer bem ao certo quando é que a fotografia tomou um papel importante em minha vida.

Não sou daqueles que sempre tiveram uma máquina por perto, ou que tem centenas de fotos da infância, família, viagens, todas guardadas em caixas de sapato. Mas, quando começaram a sair as primeiras câmeras digitais, eu logo comprei a minha. Era uma Sony já da geração pós-Mavica (que gravava as fotos em disquetes). Acho que o ano era 2000, e eu já tinha tido a aula de fotografia (das poucas que tive) que mudaria meu modo de pensar.

Nessa aula, o professor sabiamente perguntou à classe matutina: “Quem aqui pode me apontar de que lado o sol nasce?”. Alguns dedos ergueram-se em diferentes direções, ou por ignorância, ou por ter perdido o senso de localização dentro daquela sala escura. Eu, atordoado, percebi o quanto estava perdendo do mundo, dos detalhes. E foi assim que a fotografia começou a me servir como uma lente de correção para mípoes, um esforço bastante consciente de atenção.

É claro que dali passaram-se muitos anos, nos quais fui encontrando pessoas como o Furnari, a Lucia Dossin, a Sharon, a Caroline, a Tainá… um bocado de gente que me surpreendia com tudo o que eu já tinha visto e não tinha notado.

Não sou um fotógrafo.
Assim como quem toca violão em casa de tardezinha não é músico, mas faz música.
Eu faço fotos.

Faço fotos pra me focar.


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